Em 20 de janeiro de 1942, nos arredores de Berlim, o regime nazista reuniu altos funcionários para alinhar, de forma metódica, o assassinato em massa dos judeus europeus. A Conferência de Wannsee não foi um surto coletivo, mas a formalização administrativa da chamada “Solução Final”, conduzida com atas, cargos, fluxos e metas. Como lembrou o Ministério das Relações Exteriores de Israel, “não foi caos, foi burocracia; não foi loucura, foi planejamento”.
O significado histórico de Wannsee ultrapassa a memória do Holocausto. Ele expõe como a desumanização, quando abraçada por estruturas estatais e legitimada por discursos oficiais, transforma o mal em rotina. Nada aconteceu de forma súbita: houve propaganda, relativização moral e silêncio internacional. O crime avançou porque foi normalizado, protocolado e executado com aparência de legalidade.
O alerta ganha peso no presente. O crescimento do antissemitismo, a negação de atrocidades recentes, slogans que defendem a eliminação de Israel e a atuação de estruturas travestidas de neutralidade revelam que o método persiste: o ódio organizado, racionalizado e protegido por linguagem técnica. Defender Israel hoje é reafirmar a lição central de Wannsee lembrar para impedir a repetição. “Nunca mais” não é retórica; é responsabilidade histórica.