Alugar um imóvel por temporada para complementar a renda deixou de ser alternativa e passou a ser problema. Com a nova estrutura tributária, a carga sobre esse tipo de aluguel pode chegar a 44%, quase o dobro do teto anterior. O detalhe mais perverso é que a cobrança incide sobre a receita bruta, ignorando completamente custos básicos como condomínio, energia, limpeza, manutenção e taxas das plataformas digitais.
Na prática, quem aluga um imóvel por R$ 1.000 pode entregar R$ 440 diretamente ao governo antes mesmo de fechar as contas do mês. Ainda que o resultado final seja negativo, o imposto é devido integralmente. A justificativa oficial é o enquadramento do aluguel por temporada como “atividade econômica organizada”, sujeita à incidência cheia do IBS e da CBS — tratamento típico de grandes empresas, aplicado agora ao cidadão comum.
O impacto atinge em cheio aposentados, famílias que alugam um quarto para equilibrar o orçamento e pequenos investidores que apostaram no imóvel como renda passiva. O efeito colateral é previsível: preços mais altos para turistas, redução da oferta e estímulo à informalidade. Mais uma vez, quem produz e trabalha paga a conta, enquanto o Estado amplia sua fatia sem assumir risco algum.