A Justiça da Argentina solicitou formalmente aos Estados Unidos a extradição de Nicolás Maduro para que ele responda por crimes contra a humanidade. O pedido foi protocolado cerca de um mês após a captura do líder venezuelano em território norte-americano e tem como base denúncias de violações sistemáticas de direitos humanos cometidas desde 2014.
Entre as acusações listadas no processo estão repressão organizada contra opositores políticos, desaparecimentos forçados, tortura em centros de detenção, homicídios sob custódia do Estado e perseguição deliberada contra a população civil. Segundo os autos, os crimes não ocorreram de forma isolada, mas como parte de uma política contínua de repressão.
Para sustentar a ação, a Argentina invocou o princípio da jurisdição universal, mecanismo jurídico que permite a qualquer país julgar crimes considerados extremamente graves, independentemente de onde tenham sido cometidos. O instrumento já foi utilizado em casos internacionais envolvendo genocídio, tortura e crimes contra a humanidade.
O pedido agora será analisado pelas autoridades norte-americanas, que já mantêm Maduro sob custódia por outros processos. Até o momento, o governo brasileiro não se manifestou oficialmente sobre a iniciativa argentina, adotando postura de silêncio diante de uma das mais graves acusações já feitas contra o regime venezuelano.