Reportagem do Estadão, assinada por Aguirre Talento, revela que uma auditoria interna do Banco de Brasília já havia identificado, em abril de 2025, graves irregularidades nas carteiras de crédito adquiridas do Banco Master. Entre os indícios: CPFs inexistentes, cliente com 124 anos, e-mail fictício e contratos duplicados sem qualquer sistema confiável.
Mesmo diante de sinais considerados básicos de fraude, o BRB seguiu comprando os ativos por mais de 40 dias após o relatório, acumulando cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras sob suspeita. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 8 bilhões, levantando dúvidas sobre a condução interna e os mecanismos de controle adotados pela instituição.
O ponto mais sensível está na condução do caso: o relatório foi entregue à presidência do banco, mas não chegou ao Conselho de Administração. As informações só foram encaminhadas à Polícia Federal meses depois, já no contexto da Operação Compliance Zero. O episódio escancara uma pergunta inevitável: quem sabia e por que nada foi feito a tempo?