Investigações reveladas por O Globo e pela Gazeta do Povo apontam que a aeronave utilizada pelo ministro Dias Toffoli para viajar à final da Libertadores, em Lima, também foi empregada em deslocamentos relacionados ao Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). O avião pertence a uma empresa do empresário Luiz Pastore e conecta o ministro a uma cadeia de interesses privados cercada de controvérsias.
Os registros indicam coincidência entre datas de voos da aeronave e o pagamento de diárias a agentes de segurança do Judiciário na região do resort. Em 7 de março de 2025, por exemplo, o avião decolou de Ourinhos, cidade próxima ao Tayayá, com destino a Brasília, enquanto seguranças permaneceram em Ribeirão Claro entre 2 e 6 de março. Situação semelhante ocorreu em agosto, com novo cruzamento de datas. Desde 2022, agentes passaram ao menos 128 dias na região, com despesas custeadas pelo TRT-2, ou seja, com recursos públicos.
O Tayayá já teve participação societária de familiares de Toffoli e, em 2021, um fundo ligado ao Banco Master adquiriu parte do empreendimento por R$ 6,6 milhões. Esse fundo era administrado pela Reag, posteriormente liquidada pelo Banco Central e citada em investigações envolvendo recursos do PCC. Mesmo diante desse contexto, Toffoli afirmou não ver motivos para se declarar impedido, o que intensifica questionamentos sobre conflito de interesses, uso de estrutura pública e transparência no exercício do cargo.