A Folha de S.Paulo revelou que o Banco Master, anteriormente chamado Máxima, realizou 331 operações de câmbio entre dezembro de 2018 e abril de 2021, totalizando US$ 531 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões), para a One World Services (OWS), empresa investigada por lavagem de dinheiro ligada ao PCC e ao grupo terrorista Hezbollah. Quase todas as transações ocorreram sem documentação exigida por lei, segundo a Polícia Federal, que apontou que o banco “fechou os olhos de forma deliberada”.
Das 331 operações, o Master apresentou apenas 15 atas societárias, muitas com indícios de fraude: datas repetidas ou consecutivas, digitalizações feitas com minutos de diferença. Enquanto outros bancos, como Topázio, MS Bank e UBS, encerraram ou recusaram relações com a OWS, o Master manteve todas as transações, expondo fragilidade nos controles internos e no compliance.
O Banco Central abriu investigação, mas optou por encerrar o caso administrativamente, sem divulgar o valor da multa. O episódio ganha relevância política pelo histórico do banco: reuniões no Planalto, sócios ligados a políticos do PT e decisões de ministros do STF envolvendo o Master. O caso evidencia graves riscos de governança e supervisão financeira no país.