O Banco de Brasília (BRB), instituição pública criada para fomentar o desenvolvimento do Distrito Federal, passou a figurar como sócio indireto de bares e restaurantes na Faria Lima, uma das regiões mais caras do país. A revelação é da CNN Brasil e faz parte do pacote de ativos adquiridos junto ao Banco Master, em uma operação que envolve R$ 12,2 bilhões e pode gerar prejuízo estimado em até R$ 5 bilhões.
As participações em estabelecimentos comerciais na capital paulista se somam a um conjunto de ativos de perfil controverso. Entre eles, um terreno em Brumadinho comprado por R$ 22 milhões e declarado por R$ 118 milhões, atualmente embargado; um clube em Contagem avaliado em R$ 500 milhões, com venda bloqueada; participações no Will Bank, já liquidado; e agora negócios ligados à vida noturna da Faria Lima.
O padrão chama atenção pela desconexão com a missão do BRB. Em vez de financiar políticas de desenvolvimento regional, crédito produtivo e infraestrutura no Distrito Federal, o banco público passa a carregar ativos de risco e investimentos sem relação com o interesse público local. A operação levanta questionamentos inevitáveis: o contribuinte brasiliense está bancando empreendimentos privados em São Paulo? E, sobretudo, o que mais ainda está escondido nessas carteiras herdadas do Master?