Deputados da Câmara articulam uma reação após o Senado devolver, sem explicações claras, o projeto Antifacção sem a emenda que extinguia o direito de voto de presos provisórios e proibia campanhas eleitorais dentro de presídios. A medida, de autoria do deputado Marcel van Hattem, havia sido aprovada por ampla maioria na Câmara, apesar da oposição do PT, mas foi simplesmente suprimida na tramitação pelo Senado.
Com a retirada da emenda, o texto retornou à Câmara descaracterizado. Parlamentares alinhados à pauta conservadora defendem a reintrodução do dispositivo e uma nova votação, obrigando cada deputado a se posicionar novamente de forma explícita. A estratégia busca expor quem opta por manter urnas dentro de cadeias e quem defende a exclusão desse eleitorado do processo eleitoral.
O ponto central do embate é o voto de cerca de 250 mil presos provisórios no país. Em disputas apertadas, esse contingente pode influenciar resultados. Críticos afirmam que presídios acabam funcionando como ambientes de direcionamento eleitoral, sob influência de facções criminosas, enquanto o Estado garante estrutura de votação a quem está privado de liberdade por suspeita de crime. A discussão, agora, volta às mãos da Câmara e ao julgamento do eleitor.