A ameaça foi feita, a resposta veio rápido. Menos de 24 horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a possibilidade de uma tarifa de 100% sobre produtos canadenses, o governo do Canadá recuou e descartou qualquer acordo de livre-comércio com a China.
O primeiro-ministro Mark Carney afirmou que o país “não tem intenção de buscar acordos de livre-comércio com a China nem com qualquer outra economia que não seja de mercado”, alegando compromisso com o T-MEC. A mudança de tom contrasta com o discurso feito dias antes em Davos, quando Carney defendia que “potências médias” deveriam resistir ao assédio das grandes potências.
A reação em Washington foi direta. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ironizou: “Não tenho certeza do que o primeiro-ministro Carney está fazendo, além de tentar parecer virtuoso perante seus amigos globalistas em Davos. Não creio que ele esteja fazendo o melhor para o povo canadense”.
O episódio escancara o método Trump de conduzir a política externa: pressão econômica objetiva, sem rodeios diplomáticos. Quem se aproxima da China enfrenta consequências. O Canadá entendeu rápido e ajustou o discurso.
Resta a pergunta inevitável: o Brasil de Lula, que atende ligações de Xi Jinping de madrugada e recusa convites de Washington, vai entender o recado também — ou só quando a tarifa bater à porta?