Quando um banco quebra e o rombo ultrapassa R$ 50 bilhões, a conta não some ela apenas muda de mãos. E, segundo o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, quem vai pagar é a sociedade. Ao comentar os resultados do banco, o executivo foi direto: o colapso do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, vai encarecer o crédito, pressionar os juros e atingir em cheio quem depende de empréstimos ou aplica em renda fixa.
Maluhy explicou que o dinheiro “desaparece” de um lado, mas reaparece em outro, sempre repassado ao sistema. Só em devoluções a clientes, o Fundo Garantidor de Créditos já soma R$ 46,9 bilhões. Correntistas do Will Bank, integrante do conglomerado, ainda aguardam o ressarcimento integral.
Para recompor o caixa do FGC, os bancos discutem antecipar cerca de R$ 30 bilhões em contribuições previstas para os próximos cinco anos, já no início de 2026. Um custo que inevitavelmente será repassado ao mercado e ao consumidor.
O executivo também destacou um ponto sensível: plataformas que venderam CDBs do Banco Master embolsaram mais de R$ 1 bilhão em comissões. O Itaú, segundo ele, não distribuiu nenhum desses papéis. Em resumo, quem lucrou com o risco não arca com o prejuízo. A conta fica com o sistema e, no fim da fila, com o cidadão comum.