A confiança do empresário industrial registrou, em janeiro, o pior resultado dos últimos dez anos. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), fechou em 48,5 pontos — abaixo da linha de 50, que indica pessimismo. A última vez que o indicador esteve nesse patamar foi em 2016, no auge da crise econômica que marcou o fim do governo Dilma.
Segundo a CNI, a deterioração do cenário é consequência direta da elevação da taxa Selic e do impacto dos juros altos sobre a atividade produtiva. “A confiança vem baixando desde o início do ano passado, em resposta à elevação da Selic. À medida que os juros aumentaram e os efeitos foram sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, aponta a entidade.
O diagnóstico expõe um ciclo já conhecido: gastos elevados pressionam expectativas, a inflação reage, o Banco Central aperta os juros, o crédito encarece e o investimento produtivo recua. O resultado é estagnação econômica e insegurança no setor industrial o mesmo roteiro que levou o país à recessão profunda na década passada. Ainda assim, o discurso hostil ao empresariado persiste, agravando um ambiente de negócios já fragilizado.