O Congresso do Peru aprovou nesta terça-feira (17) a destituição do presidente José Jerí, com 75 votos favoráveis, 24 contrários e 3 abstenções. Jerí permaneceu cerca de quatro meses no cargo. Trata-se do terceiro presidente consecutivo removido pelo Parlamento e do oitavo chefe de Estado em oito anos no país.
A saída ocorreu após repercussão de imagens que mostrariam o então presidente chegando de forma discreta a um restaurante em Lima para um encontro com o empresário chinês Zhihua Yang, apontado como interessado em concessões no setor de energia e comércio. O episódio, apelidado pela imprensa local de “Chifagate”, gerou questionamentos sobre transparência e possíveis conflitos de interesse.
O presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, recusou assumir o comando do Executivo. As bancadas parlamentares têm prazo para apresentar candidaturas, e o Congresso deverá eleger um novo presidente que ficará à frente do país até as eleições gerais marcadas para 12 de abril.
A instabilidade política tem sido recorrente no Peru nos últimos anos. Em outubro, a então presidente Dina Boluarte também deixou o cargo após enfrentar denúncias e forte pressão política. O cenário reforça a percepção de crise de governabilidade e sucessivas mudanças no poder Executivo peruano.