O funcionário quebra a empresa e depois usa o dinheiro dela para pagar o próprio advogado. É exatamente o que está acontecendo nos Correios. A estatal acumula prejuízo de R$ 6,1 bilhões em menos de três anos, mas encontrou R$ 800 mil para contratar, sem licitação, o escritório Wambier, Yamasaki, Bevervanço & Lobo. O objetivo: defender dirigentes e ex-dirigentes em processo sigiloso no TCU que apura pedaladas fiscais nos balanços de 2023.
O detalhe que escancara o absurdo é que os Correios mantêm cerca de 300 advogados em seu quadro próprio. Ainda assim, optaram por uma banca externa. E-mails internos obtidos pelo Poder360 deixam claro o real propósito do contrato: “afastar a responsabilização pessoal do dirigente” prática vedada pela jurisprudência do próprio TCU. O acordo ainda prevê “abordagem de ministros”, o que levanta questionamentos sobre lobby em tribunal com dinheiro público.
A autorização partiu de Juliana Picolli Agate, diretora indicada por Edinho Silva. Ao deixar a estatal, ela não ficou desamparada: assumiu cargo no Ministério dos Esportes. Enquanto isso, quem paga a conta é o contribuinte — o mesmo que segue esperando a encomenda atrasar.