Encontro fora da agenda expõe pressão indevida sobre o Banco Central

Reunião sigilosa no Planalto reuniu Lula, Galípolo e o dono do Banco Master em meio a suspeitas e interesses cruzados

· 1 minuto de leitura
Encontro fora da agenda expõe pressão indevida sobre o Banco Central
 Marcello Casal JrAgência Brasil

Uma reunião realizada em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, levanta sérias dúvidas sobre a relação entre o governo federal e o sistema bancário. Segundo o Metrópoles, o presidente Lula recebeu por cerca de uma hora e meia Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em um encontro que simplesmente não constou na agenda oficial.

Na sala estavam ministros de peso e figuras-chave da economia: Rui Costa, Alexandre Silveira, Gabriel Galípolo então indicado para presidir o Banco Central e Guido Mantega. Este último, vale lembrar, articulou a reunião enquanto recebia R$ 1 milhão mensal do próprio banco como “consultor”, um detalhe que agrava ainda mais o episódio.

Durante o encontro, Vorcaro e o CEO do Master alegaram perseguição dos grandes bancos. Lula, por sua vez, reforçou o discurso contra a concentração bancária e pediu a Galípolo que tratasse o caso com “isenção” ao assumir o BC. O problema é óbvio: quando o presidente convoca o futuro chefe da autoridade monetária para uma reunião reservada com o dono de um banco em dificuldades, isso não soa como isenção — soa como pressão.

Galípolo acabou liquidando o Banco Master, o que lhe rende crédito institucional. Já Lula, dias depois, afirmou em Maceió que “falta vergonha na cara” de quem defende Vorcaro. A frase até faz sentido. O problema é o destinatário errado.