Excesso de regulação retira Citoneurin injetável do Brasil

Pacientes com neuropatias perdem acesso a tratamento rápido e eficaz

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Excesso de regulação retira Citoneurin injetável do Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Citoneurin 5000 injetável, complexo vitamínico B usado no tratamento de neuropatias, neuralgias e deficiências graves de vitaminas B, foi descontinuado no Brasil em 2025. Fabricado pela Merck e distribuído pela P&G, o medicamento oferecia absorção imediata e altas doses de B12, essenciais para regeneração nervosa, manutenção da mielina e alívio rápido da dor. Pacientes com dificuldades de absorção oral, como idosos, gastrectomizados ou pessoas com doenças intestinais, dependiam dessa via para reposição eficiente.

O histórico da descontinuação mostra que, embora a empresa tenha alegado decisão comercial, os principais fatores foram a regulação de preços rígida da CMED e exigências logísticas da Anvisa (RDC 430/2020). A CMED manteve o preço máximo do produto defasado por anos, inviabilizando economicamente sua distribuição. Paralelamente, normas de conservação e monitoramento de temperatura e luz aumentaram custos de transporte e armazenamento, especialmente em regiões quentes do país.

O Citoneurin combina vitaminas B1, B6 e B12 em doses elevadas. A tiamina auxilia no metabolismo energético neuronal; a piridoxina contribui para a síntese de neurotransmissores e redução da dor neuropática; e a B12 é vital para regeneração nervosa e prevenção de complicações metabólicas. A versão injetável permitia reposição rápida em casos graves, com efeito analgésico adjuvante imediato, algo que a forma oral, embora eficaz para manutenção, não substitui completamente sem múltiplas doses.

A descontinuação gerou reclamações de pacientes e médicos, pois a versão injetável era até quatro vezes mais acessível que alternativas orais e preferida para casos agudos. Hoje, permanecem disponíveis versões orais do Citoneurin e injetáveis similares de outros laboratórios, mas a necessidade de reposição rápida continua prejudicada.

O episódio evidencia que políticas públicas voltadas à proteção do consumidor, quando combinadas com burocracia excessiva, podem gerar efeitos contrários, retirando do mercado medicamentos essenciais e prejudicando diretamente a qualidade de vida de pacientes dependentes de tratamentos consolidados.