Em 4 de dezembro de 2024, o então diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou de uma reunião reservada no Palácio do Planalto com o presidente Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O encontro não constou na agenda oficial da Presidência e, segundo apuração, não foi comunicado ao então presidente do BC, Roberto Campos Neto, que seguia no comando da instituição naquele momento.
À época, o mercado financeiro já acompanhava com atenção a situação do Master, que oferecia CDBs com remuneração de até 140% do CDI — patamar considerado atípico e indicativo de risco elevado. Durante a reunião, Lula teria feito críticas diretas à gestão de Campos Neto, elogiado Galípolo e aconselhado Vorcaro a não vender o banco ao BTG Pactual.
Menos de um mês depois, Galípolo assumiu a presidência do Banco Central. Onze meses mais tarde, a autoridade monetária decretou a liquidação do Banco Master, episódio classificado como o maior colapso bancário da história recente do país. O governo sustenta que não houve interferência política e que todas as decisões foram “técnicas”. Ainda assim, a sucessão de fatos, o silêncio institucional e a ausência de registros oficiais levantam questionamentos difíceis de ignorar.