Gilmar Mendes propõe força-tarefa contra deepfakes e expõe seletividade do STF

Ministro defende combate à desinformação com IA, mas silêncio em caso envolvendo aliado do governo levanta suspeitas

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Gilmar Mendes propõe força-tarefa contra deepfakes e expõe seletividade do STF
 Tânia Rêgo/Agência Brasil

O ministro Gilmar Mendes defendeu a criação de uma força-tarefa para combater vídeos e imagens produzidos por inteligência artificial nas eleições de 2026. Segundo ele, o eleitor “não consegue distinguir o que é autêntico” e a prática “enfraquece o debate”, justificando acordos com Big Techs, rotulagem obrigatória de conteúdos e respostas rápidas contra os chamados deepfakes eleitorais.

O discurso, no entanto, contrasta com episódios recentes. O deputado Rogério Correia (PT) publicou uma montagem criada por inteligência artificial associando Jair Bolsonaro ao Banco Master. O conteúdo era falso, caracterizava deepfake e se enquadrava exatamente no tipo de material que Gilmar afirma querer combater.

Apesar disso, não houve reação institucional. O STF permaneceu em silêncio, o parlamentar apagou a postagem sem qualquer consequência, não foi instaurado inquérito nem anunciada investigação. O caso simplesmente desapareceu do radar.

A proposta de combate à desinformação levanta uma questão central: quem decidirá o que é deepfake eleitoral? A ausência de reação quando a falsidade parte de aliados do governo expõe um critério desigual e reforça a percepção de que o combate às fake news pode se transformar em instrumento seletivo de controle político.