O Itamaraty informou ao Supremo Tribunal Federal que a visita do assessor norte-americano Darren Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro pode configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil. A manifestação foi enviada após solicitação do ministro Alexandre de Moraes.
No documento, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente em ano eleitoral levanta questionamentos diplomáticos. O ofício também informa que o visto de Beattie foi concedido com base em justificativa oficial que não mencionava qualquer agenda com Bolsonaro.
Segundo o relatório, o pedido de visita teria sido apresentado pelos advogados do ex-presidente, sem tramitação prévia pelo Itamaraty. A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil procurou o ministério apenas no dia 11 para solicitar reuniões previstas para o dia 17, mas, até o momento, nenhum encontro foi confirmado.
A situação expôs um impasse diplomático e político: de um lado, a avaliação do governo brasileiro sobre possível interferência externa; de outro, o interesse do assessor ligado ao presidente Donald Trump em visitar o ex-presidente brasileiro. O caso segue sob análise do STF.