O governo federal elevou os gastos com publicidade a R$ 1,5 bilhão em 2025, atingindo o maior patamar desde 2017. Dados revelam que plataformas digitais passaram a concentrar uma fatia significativa dos recursos, com repasses de R$ 64,6 milhões ao Google e R$ 56,9 milhões à Meta — superando emissoras tradicionais como SBT e Band. A participação da internet no orçamento saltou de 17,7% no último ano da gestão anterior para 34,5%.
A maior parte dos recursos foi destinada à promoção institucional, somando R$ 924 milhões, enquanto campanhas de utilidade pública, como vacinação, ficaram com R$ 613 milhões. O contraste chama atenção diante do discurso oficial de endurecimento contra plataformas digitais, especialmente após declarações públicas defendendo maior controle sobre essas empresas.
Apesar da retórica, os números indicam forte dependência dessas mesmas plataformas. Curiosamente, apenas o X ficou fora dos investimentos, em meio a embates envolvendo críticas à atuação do Judiciário e do próprio governo. O cenário sugere uma relação seletiva: recursos abundantes para quem se alinha, restrições para quem confronta.