Em agenda no interior de São Paulo, nesta terça (3), Luiz Inácio Lula da Silva exibiu uma caixa de remédio para a doença de Crohn e declarou: “Esse é o nosso míssil não para matar, para salvar.” Ao comparar o medicamento a um artefato de guerra, o presidente exaltou o Sistema Único de Saúde e o acesso gratuito a tratamentos de alto custo.
A fala, porém, esbarra em dados recentes. Entre 2023 e 2024, milhares de medicamentos de alto custo inclusive oncológicos foram incinerados após vencerem nos estoques do Ministério da Saúde, por falhas de gestão e distribuição. Pacientes relataram dificuldade para obter remédios enquanto lotes inteiros eram descartados.
A retórica pode soar forte, mas o desafio segue prático: medicamento precisa chegar ao paciente. Caso contrário, o que se anuncia como solução vira símbolo de desperdício e desorganização administrativa.