Alexandre de Moraes utilizou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para viajar sozinho de Brasília a São Paulo, alegando questões de segurança. A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo. No dia seguinte, no entanto, o ministro apareceu na final do Campeonato Paulista, na Neo Química Arena, cercado por 48 mil torcedores, ao lado do também ministro Flávio Dino. A contradição entre a justificativa da viagem e a exposição pública gerou críticas.
Apenas um dia antes, Moraes havia participado da sessão do STF que tornou réu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Já em São Paulo, o magistrado participou das sessões da Corte por videoconferência. A viagem, feita com recursos públicos, levanta questões sobre a real necessidade do uso da FAB, visto que sua presença em um evento de grande público contradiz a justificativa de risco.
Entidades como a Transparência Brasil questionaram a coerência da decisão. "Se foi a um estádio com 50 mil pessoas, poderia tranquilamente ter usado um avião comercial", avaliou Marina Atoji. O sigilo imposto pelo Tribunal de Contas da União sobre viagens de ministros do STF torna a fiscalização ainda mais difícil. Procurados, STF, FAB e Ministério da Defesa não comentaram o caso.