Um episódio ocorrido na capela de São Sebastião, em Pingo D’Água, no interior de Minas Gerais, ganhou repercussão nacional após um sacerdote interromper a celebração da missa para constranger fiéis por posicionamento político. O padre Flávio Ferreira Alves condicionou o recebimento da eucaristia à rejeição pública ao deputado federal Nikolas Ferreira, afirmando que apoiadores do parlamentar não seriam dignos do sacramento. A cena foi registrada em vídeo por fiéis e rapidamente se espalhou nas redes sociais. Até o momento, a Diocese de Caratinga não se manifestou.
A declaração do sacerdote se baseou em uma informação falsa. O parlamentar não votou contra auxílio a famílias carentes, mas se posicionou contra uma proposta que altera o modelo do benefício, retirando o recurso da conta direta da família e impondo a retirada em estabelecimentos credenciados pelo governo. A crítica foi direcionada ao aumento do controle estatal sobre o auxílio, e não à assistência aos mais pobres.
O caso reacende o debate sobre a instrumentalização da fé para fins políticos. A eucaristia é um sacramento central da Igreja Católica e não pode ser usada como mecanismo de coerção ideológica. Quando o altar deixa de ser espaço de fé para se tornar tribuna política, o prejuízo não é apenas institucional, mas espiritual. O silêncio da hierarquia diante do episódio também passa a ser parte da controvérsia.