O domínio da televisão sobre a informação política no Brasil chegou ao fim. Pela primeira vez desde o início da série histórica, em maio de 2024, as redes sociais superaram a TV como principal fonte de notícias sobre política. Segundo a Quaest, 39% dos brasileiros se informam pelas plataformas digitais, enquanto a televisão ficou com 34%, marcando uma inflexão clara no consumo de informação.
O levantamento também revela um dado incômodo para o governo: o ambiente digital está muito menos controlado. Entre eleitores conservadores, 76% afirmam ver notícias negativas sobre Lula nas redes. Já entre os independentes — o público que decide eleições — 45% percebem mais conteúdos críticos ao governo, contra apenas 19% positivos. É justamente fora da militância que a percepção de realidade se distancia da narrativa dominante na TV.
Por décadas, grandes emissoras concentraram o poder de definir o que era notícia e como deveria ser interpretada. Esse monopólio se rompeu. Hoje, o brasileiro escolhe o que consome, cruza fontes e constrói sua própria visão. Não por acaso, cresce a pressão por regulação das redes, o ataque às big techs e a tentativa de organizar militância por aplicativos. O controle da narrativa se perdeu — e quem dominar o ambiente digital terá vantagem decisiva em 2026.