A Polícia Federal prendeu o doleiro Thareck Mourad em São Paulo, na última sexta-feira (28), revelando uma conexão financeira entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia italiana 'Ndrangheta. Mourad atuava movimentando dinheiro fora do sistema bancário para financiar a compra de cocaína enviada à Europa. Seu esquema envolvia o chamado dólar-cabo, dificultando a rastreabilidade dos valores. A operação da PF faz parte de um cerco contra o crime organizado.
A investigação também levou à prisão de William Barile Agati, operador financeiro do PCC, e outros 12 suspeitos. A cocaína era transportada de países como Colômbia e Peru, atravessando o Brasil por rotas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, antes de seguir para a Europa via portos e aeronaves. Marlon dos Santos, responsável pela logística, também foi capturado na operação.
Com apoio de autoridades italianas, a PF teve acesso a comunicações criptografadas e descobriu um esquema bilionário de lavagem de dinheiro operado por empresas de fachada. Agati, sócio de diversas firmas, usou uma construtora para simular uma obra já concluída havia nove anos. A máfia 'Ndrangheta, presente em mais de 80 países, segue sendo uma das maiores ameaças internacionais.