Um tribunal de Lima proibiu o órgão regulador do Peru de fiscalizar o megaporto de Chancay, infraestrutura estratégica controlada em 60% pela estatal chinesa Cosco Shipping. Construído com capital de Pequim, o terminal é peça-chave para o comércio exterior do país. A decisão judicial restringe a supervisão nacional sobre uma estrutura crítica. Washington reagiu de forma direta ao afirmar que o episódio deve servir de alerta à região.
O posicionamento americano não é retórico. A experiência internacional mostra que investimentos chineses em infraestrutura frequentemente vêm acompanhados de cláusulas que ampliam controle operacional e influência estratégica. Quando surgem conflitos regulatórios, o país anfitrião enfrenta limitações jurídicas previamente contratadas.
O caso peruano reforça uma preocupação crescente no continente: capital externo pode impulsionar desenvolvimento, mas acordos mal calibrados podem comprometer autonomia. Nesse ponto, o alerta dos EUA ecoa um debate legítimo sobre segurança econômica e soberania nacional.