O envio da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados marcou um novo avanço legislativo, mas também ampliou o debate sobre seus efeitos práticos na economia. O texto unifica iniciativas apresentadas por parlamentares e passou a ser tratado pelo governo como pauta prioritária, com discursos que associam a mudança à valorização do trabalhador.
Nos bastidores, porém, o clima é distinto entre comerciantes e prestadores de serviços. Pequenos empresários avaliam que a redução dos dias trabalhados, sem ajuste proporcional de salários, eleva significativamente o custo da mão de obra. Em setores que funcionam de forma contínua como comércio, alimentação, hotelaria e serviços essenciais a necessidade de manter a operação diária pode resultar em aumento de despesas que muitos negócios não conseguem absorver.
Especialistas apontam que, diante desse cenário, empresas tendem a reagir com cortes de pessoal, informalização de vínculos ou até encerramento das atividades. Diferentemente de países europeus citados como exemplo, o Brasil enfrenta baixa produtividade, alta carga tributária e crédito restrito. Até o momento, não foram apresentados estudos oficiais que dimensionem o impacto da proposta sobre o nível de emprego ou a sobrevivência de pequenos negócios, o que reforça a apreensão de quem depende da atividade econômica para manter postos de trabalho.