Segundo reportagem do Poder360, quatro das maiores auditorias do mundo aprovaram balanços do Banco Master e da Reag que continham dezenas de bilhões de reais em ativos que simplesmente não existiam. Mesmo assim, os pareceres foram emitidos sem ressalvas, chancelando dados que depois se revelaram fraudulentos.
Os valores impressionam: R$ 19,5 bilhões em cotas de fundos sem lastro, R$ 6,7 bilhões em créditos consignados fictícios da Tirreno, R$ 8,7 bilhões em precatórios sem titularidade comprovada e R$ 45,5 bilhões em créditos de carbono vinculados a terras pertencentes à União. Ainda assim, a KPMG auditou o Master até dezembro de 2024 e afirmou que os balanços “apresentam adequadamente a posição patrimonial e financeira”. Em 2025, a PwC assumiu e repetiu o mesmo entendimento.
A EY alegou que sua atuação se limitou a “checar fórmulas matemáticas”, sem validar os valores apresentados. A Crowe, por sua vez, afirmou ter trabalhado “em conformidade com as normas”. Já o Banco Central identificou a fraude da Tirreno com um procedimento elementar: ligou para 30 supostos tomadores de crédito. Nenhum havia recebido qualquer valor. Todos os registros eram falsos.
Se o Banco Central conseguiu desmontar o esquema com 30 ligações, por que as maiores auditorias do planeta não conseguiram? Questionadas, invocaram “sigilo profissional”. Nenhuma foi responsabilizada. A conta, como sempre, fica para o contribuinte.