Senado aprova “Gás do Povo” e transfere conta de R$ 5,1 bilhões para o contribuinte

Programa prevê botijão “gratuito” a 15 milhões de famílias, bancado por impostos e aprovado sem registro nominal de votos

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Senado aprova “Gás do Povo” e transfere conta de R$ 5,1 bilhões para o contribuinte
André Motta de Souza / Agência Petrobras

O Senado Federal aprovou o programa batizado de “Gás do Povo”, que prevê a distribuição de botijões de gás a cerca de 15 milhões de famílias, ao custo estimado de R$ 5,1 bilhões aos cofres públicos. A proposta foi celebrada pela base do governo Lula como medida de caráter social, mas ignora um ponto central: o recurso utilizado é proveniente dos impostos pagos pela população.

Durante a sessão, o presidente do Senado afirmou que “quando o gás falta, a dignidade falta junto”, discurso que não veio acompanhado de transparência sobre a origem do dinheiro. Na prática, o contribuinte arca duas vezes com o custo: primeiro, nos tributos embutidos no preço do botijão; depois, no financiamento estatal do benefício apresentado como “gratuito”.

A votação ocorreu de forma simbólica, sem registro individual dos votos dos senadores, o que impede a população de saber como cada parlamentar se posicionou. O timing da aprovação também chama atenção: o pagamento do benefício está previsto para começar em 2026, justamente em ano eleitoral.

Enquanto o governo evita discutir a redução de impostos — medida que poderia baratear o gás para todos opta por ampliar gastos públicos e criar programas de alto impacto político. O “Gás do Povo” surge, assim, mais como ferramenta eleitoral do que como solução estrutural, deixando novamente ao cidadão a responsabilidade de pagar a conta.