O governo federal intensificou nesta semana a articulação política para impedir o avanço, na Câmara dos Deputados, do projeto que autoriza a renegociação de dívidas do setor rural. A proposta foi aprovada pelo Senado e tem impacto estimado em cerca de R$ 140 bilhões ao longo da próxima década. Diante da repercussão da matéria, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, procurou o presidente da Câmara, Hugo Motta, para apresentar as preocupações do Palácio do Planalto com os efeitos fiscais da medida.
Segundo relatos divulgados pela imprensa, a movimentação ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrar insatisfação com a aprovação do projeto no Senado, inclusive pelo apoio recebido de parlamentares ligados a partidos que integram a base governista. Técnicos das áreas econômica e de planejamento também participam das discussões, defendendo que a proposta pode ampliar a pressão sobre as contas públicas.
Além da renegociação das dívidas rurais, outras iniciativas em tramitação preocupam integrantes do governo. Entre elas estão um projeto que amplia o piso salarial de médicos e dentistas e uma proposta de emenda constitucional voltada à aposentadoria de agentes comunitários de saúde. Somadas, as medidas podem representar impacto superior a R$ 280 bilhões nos próximos anos, ampliando o embate entre a equipe econômica, o Congresso Nacional e setores organizados que defendem as propostas.