A designação da delegada Tatiana Alves Torres para substituir o oficial de ligação expulso dos Estados Unidos foi assinada em 17 de março, com início previsto para o dia 20. O detalhe chama atenção porque a prisão de Alexandre Ramagem ocorreu apenas em 13 de abril quase um mês depois. A antecipação do movimento contrasta com a versão de que o governo brasileiro teria sido surpreendido pelos desdobramentos do caso.
O perfil da delegada é técnico e consistente, com formação sólida e experiência internacional. Ainda assim, o contexto da substituição levanta questionamentos. Reportagens apontam que houve articulação prévia entre autoridades brasileiras e órgãos migratórios americanos. Apesar disso, o documento que embasou a detenção não menciona crimes praticados no Brasil nem apresenta pedido formal de extradição.
Ramagem foi liberado dois dias depois. O delegado envolvido na operação acabou expulso pelos EUA. Diante dessa sequência, cresce o debate sobre os limites entre cooperação internacional legítima e possíveis distorções no uso de mecanismos migratórios ponto que segue sob análise das autoridades americanas.