Se a cocaína exportada pelos portos brasileiros fosse uma commodity, ocuparia a 8ª posição entre as mais vendidas do país, com faturamento estimado em US$ 2,79 bilhões. O dado, revelado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em relatório publicado em março, escancara a fragilidade do controle estatal sobre cargas que deixam o território nacional.
Segundo o documento, portos estratégicos como Santos, Paranaguá, Suape e Itajaí operam sem sistemas básicos de monitoramento em tempo real. O modelo internacional, que integra radares, sensores e câmeras, só existe no Porto de Vitória, instalado ainda em 2017.
Enquanto isso, apreensões se multiplicam: apenas em Santos, mais de uma tonelada de cocaína foi interceptada desde janeiro, escondida em diferentes tipos de carga.
Mesmo assim, grandes carregamentos seguem escapando. Um exemplo veio da Espanha, que apreendeu 10 toneladas da droga em um navio com escala no Brasil. O TCU também aponta falhas na atuação conjunta da Polícia Federal e da Receita, comprometendo provas e investigações. Iniciativas de monitoramento iniciadas em 2012 nunca avançaram, e acordos recentes de cooperação internacional ainda deixam lacunas. O diagnóstico é direto: tecnologia existe, mas falta decisão para aplicá-la.