As negociações para uma nova delação premiada de Daniel Vorcaro foram retomadas na última semana, mas Procuradoria-Geral da República (PGR) e Polícia Federal já deixaram uma condição inegociável sobre a mesa: o banqueiro precisará admitir sua participação nos crimes investigados. Segundo informações da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, investigadores consideram que não existe colaboração premiada sem confissão efetiva dos fatos. "Ele precisa aceitar que uma delação presume confissão de crimes, não é instrumento de defesa", resumiu uma fonte ligada às apurações.
A primeira proposta apresentada por Vorcaro acabou rejeitada em 20 de maio por ter sido considerada insuficiente e seletiva. De acordo com os investigadores, o material omitia fatos já conhecidos pelas autoridades e buscava preservar personagens citados nas investigações. Um dos exemplos mencionados foi o capítulo envolvendo o senador Ciro Nogueira, apelidado nos bastidores de "a beatificação de Ciro" por supostamente suavizar informações e deixar de relatar pagamentos e despesas que seriam relevantes para o caso.
Além disso, a proposta também não teria detalhado a suposta influência do governador Cláudio Castro nos aportes do Rioprevidência. Enquanto tenta reconstruir a negociação, a defesa de Vorcaro busca reaproximação com o ministro André Mendonça, relator do processo, que passou a manter contato apenas por escrito após atritos envolvendo a estratégia adotada pelo banqueiro no Supremo Tribunal Federal.