O fluxo de brasileiros para o Paraguai segue em ritmo acelerado e já chama a atenção de economistas e empresários. Dados da Direção Nacional de Migrações do Paraguai, divulgados pela Gazeta do Povo, mostram que 23.526 brasileiros receberam autorização de residência em 2025, mais que o dobro dos cerca de 10 mil registros contabilizados em 2020. Apenas no primeiro trimestre de 2026, foram protocolados 18.071 pedidos de residência de estrangeiros, um crescimento de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior, com os brasileiros liderando o ranking.
Por trás desse movimento está uma combinação de fatores econômicos. Enquanto a carga tributária paraguaia gira entre 10% e 14% do PIB, no Brasil ela alcança aproximadamente 33%. O Imposto de Renda no país vizinho tem teto de 10%, a energia elétrica está entre as mais baratas da região e diversos produtos, como veículos e eletrônicos, custam significativamente menos do que no mercado brasileiro.
O fenômeno também alcança o setor produtivo. Atualmente, cerca de sete em cada dez indústrias instaladas no regime de maquila paraguaio têm origem brasileira, incluindo empresas de grande porte. O crescimento contínuo da migração e da transferência de investimentos para o Paraguai reforça um debate cada vez mais presente: até que ponto a elevada carga tributária, a burocracia e os custos operacionais do Brasil estão incentivando cidadãos e empreendedores a buscar oportunidades além da fronteira?