O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou durante discurso na Organização dos Estados Americanos (OEA) que classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas "gera confusão" e não contribui para o combate ao crime organizado. Segundo o G1, o chanceler sustentou que as facções atuam com objetivo financeiro e que o Brasil deve resistir ao uso de categorias adotadas em outros países.
A declaração contrasta com a decisão dos Estados Unidos, que desde 5 de junho passaram a considerar as duas organizações como terroristas, ampliando instrumentos para aplicar sanções financeiras e atingir pessoas ou empresas que ofereçam recursos, logística ou qualquer tipo de apoio aos grupos criminosos. Enquanto Washington endurece sua estratégia, o governo brasileiro mantém o entendimento de que o enfrentamento deve ocorrer apenas com os mecanismos já previstos para organizações criminosas.
Mauro Vieira afirmou que a classificação por terrorismo poderia gerar consequências relacionadas à soberania e defendeu a cooperação entre polícias e órgãos de inteligência como principal caminho de combate. No Brasil, a decisão americana não produz efeitos jurídicos, e PCC e Comando Vermelho permanecem enquadrados exclusivamente como organizações criminosas pela legislação nacional.