Grupo de trabalho criado na Câmara debate regras para proteção de crianças diante de pressões externas e internas

Temor de sanções dos EUA freia projetos sobre “adultização” nas redes

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Temor de sanções dos EUA freia projetos sobre “adultização” nas redes
Lula Marques/Agência Brasil

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), criou um grupo de trabalho (GT) para analisar projetos de lei sobre a erotização de crianças na internet, motivado pelo receio de sanções do governo dos EUA. A preocupação cresceu após decisões do STF, lideradas pelo ministro Alexandre de Moraes, que suspenderam perfis e removeram conteúdos considerados falsos ou ilegais em redes sociais.

O tema ganhou repercussão com vídeo do influenciador Felipe Bressanim, conhecido como Felca, sobre “adultização”, que soma mais de 38 milhões de visualizações. Há pelo menos 60 projetos em tramitação, incluindo o PL 2.628/22, de Alessandro Vieira, com votação prevista para a próxima semana. O GT visa discutir as propostas, muitas delas endurecendo regras para as big techs.

Pressões externas se intensificaram após Donald Trump aumentar tarifas sobre produtos brasileiros e criticar a atuação do STF, mencionando censura “secreta e ilegal” a empresas norte-americanas. Deputados e senadores temem impactos da inclusão de Moraes na lista de sanções da Lei Magnitsky.

O governo também retomou discussão sobre regulação das plataformas digitais, com reunião em 13 de agosto envolvendo ministros e o advogado-geral da União.

O projeto visa proteção de crianças e adolescentes e regulação financeira das empresas, mas enfrenta divergências sobre remoção de conteúdo ilegal. Líderes de centro defendem foco apenas na “adultização”. O texto seguirá ao GT antes de ir ao plenário, com debate previsto de 30 dias.

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