Ministério da Justiça afirma que decisão busca reforçar a segurança pública, mas bastidores da PF apontam preocupação com impacto sobre investigações sensíveis

Governo pede retorno de delegados cedidos e medida atinge gabinete de Mendonça

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Governo pede retorno de delegados cedidos e medida atinge gabinete de Mendonça
© Carlos Moura/SCO/STF

O Ministério da Justiça determinou o retorno de policiais federais cedidos para atuar junto a magistrados e outros órgãos públicos. A medida foi formalizada por meio de ofícios assinados em 17 de junho pelo secretário-executivo Ademar Borges. Segundo a pasta, a iniciativa atende a uma diretriz do governo federal voltada ao fortalecimento das atividades da Polícia Federal na área de segurança pública.

Entre os profissionais afetados está um delegado que presta assessoria ao ministro André Mendonça, do STF. O magistrado é relator de investigações de grande repercussão, entre elas os desdobramentos do caso Banco Master e apurações relacionadas a fraudes no INSS. A coincidência entre a decisão administrativa e o avanço desses processos chamou atenção nos bastidores.

Oficialmente, o governo sustenta que a medida tem caráter administrativo e busca recompor efetivos da Polícia Federal. Já integrantes da corporação avaliam que a retirada de agentes de gabinetes estratégicos pode afetar o andamento de trabalhos considerados sensíveis. O tema ganhou ainda mais repercussão após mudanças recentes em equipes de investigação e do reforço na segurança do próprio ministro Mendonça. O episódio reacende o debate sobre a necessidade de preservar a autonomia e a estrutura de apoio às apurações conduzidas por órgãos de Estado.