A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, afirmou que ser chamada de "gastadeira" nas redes sociais é um exemplo de misoginia. A declaração foi feita durante entrevista em que defendeu o projeto de lei que criminaliza condutas motivadas por ódio ou aversão às mulheres.
A proposta, já aprovada pelo Senado e em análise na Câmara dos Deputados, inclui a misoginia na Lei do Racismo, tornando esses crimes inafiançáveis e imprescritíveis, além de ampliar as penas em determinadas situações.
Segundo Janja, publicações que a retratam como alguém que gasta excessivamente dinheiro público não configuram apenas críticas políticas, mas fazem parte de uma campanha de perseguição motivada por misoginia.
A declaração provocou questionamentos sobre os limites entre o combate à discriminação e a liberdade de crítica a agentes públicos. Críticos da posição da primeira-dama argumentam que cobranças sobre gastos públicos, atuação institucional e influência política não podem ser automaticamente classificadas como misoginia apenas por terem como alvo uma mulher.
Para esses críticos, embora o enfrentamento à violência e ao ódio contra mulheres seja necessário, ampliar excessivamente esse conceito pode gerar insegurança jurídica e abrir espaço para que críticas políticas, sátiras e questionamentos sobre o uso de recursos públicos sejam confundidos com condutas criminosas.